SÃO BRUNO

A Igreja celebra neste dia 06 de outubro São Bruno, fundador da Cartuxa. Nasceu em Colónia, na Alemanha, em 1030, e morreu na cartuxa de Serra San Bruno, na região da Calábria, Itália, em 1101. Depois de uma vida de estudos e de ensino, deslocou-se para a serra para aí viver uma vida eremítica na solidão da montanha. Na verdade, quis dedicar-se completamente a Deus, dia e noite. Abandonou as coisas efémeras e passageiras e dedicou-se unicamente à busca do eterno, contrariando a lógica do rendimento e da eficácia, e mostrando que a Cruz permanece firme enquanto o mundo continua a girar…

Vale a pena visitar a Cartuxa de Serra São Bruno, na Calábria, mesmo à distância, saboreando as palavras que um jovem monge cartuxo publicou num livro intitulado Sentieri del deserto, coordenado pelos Monges da Cartuxa de Serra San Bruno, aparecido nas Edições Rubbetino, em 2001, nos 900 anos da morte de São Bruno. O jovem monge descreve a sua experiência de vida na Cartuxa. Confessa o jovem monge que, ao entrar na Cartuxa, pensava que iria subir altas montanhas espirituais, vindo, porém, a constatar que deu por si a descer vales e abismos, «fazendo um caminho paradoxal que se sobe descendo» (p. 24). Confessou igualmente que foi levado a compreender que o tesouro do Evangelho não se rouba nem se compra (p. 24). Para o obter, a palavra-chave é “vender”. “Vender”, não apenas os bens materiais, mas também a parte mais obstinada do nosso “eu”. Se revisito os lugares concretos desta “compra-venda”, continua o jovem monge, consigo reconhecer com clareza três (p. 25): fragilidade, inutilidade, pobreza. E continua o monge: «vendi aquela parte de autossatisfação que me restava, e comprei uma fragilidade ilimitada. Mas, precisamente lá no fundo, encontrei a misericórdia infinita de Deus», que é «o seu modo mais extraordinário de amar a humanidade, que se revelou uma vez por todas em Jesus, feito dom sobre a cruz por mim» (p. 25). E ainda: «Vendi o sentimento de me julgar indispensável, e comprei a minha inutilidade», olhando para a Cruz, na qual, «Jesus já não era útil a ninguém, mas nos estava a salvar a todos» (p. 26). E finalmente, conclui o monge, «vendi as minhas certezas fáceis, e comprei a minha pobreza com o grito de esperança que ela arrasta consigo» (p. 26).

António Couto

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