A Igreja dedica o dia de hoje, dia 27 de agosto, a Santa Mónica, e dedica o dia de amanhã, 28 de agosto, a Santo Agostinho, mãe e filho. O papel de Santa Mónica ficou um pouco na sombra, devido ao fulgor do seu filho, Agostinho. Mas ninguém pode apagar as lágrimas e a oração de Mónica, que muito chorou e lutou na oração pelo seu filho. E ganhou a luta. Foi, portanto, com alegria imensa que hoje celebrámos esta grande mãe, do mesmo modo que amanhã celebraremos Santo Agostinho, um dos Santos mais ilustres, queridos e conhecidos da Igreja. Nascido em Tagaste, norte de África (atual Argélia), no dia 13 de novembro, Domingo, do longínquo ano de 354, experimentou, na sua juventude, as futilidades da vida. Mas nada disso, nem riquezas, nem prazeres, nem académicas discussões, lhe enchiam a alma. Agostinho não procurava qualquer coisa, qualquer simples remedeio ou acessório. Procurava a Verdade, e correu o mundo à procura da Verdade. Foi assim que um dia chegou a Milão, e se pôs a ouvir as catequeses de Santo Ambrósio. E foi assim que, conta ele mesmo nas suas “Confissões”, Livro VIII, Capítulo 12, em finais do verão do ano 386, não conseguindo dormir, veio para o jardim anexo à casa onde residia, e, envolto em lágrimas, deitou-se debaixo de uma figueira. E eis que, conta ele, saída de uma casa vizinha, começou a ouvir a voz de uma criança que cantarolava repetidamente uma canção, cuja letra era: “Toma e lê! Toma e lê! Toma e lê! Toma e lê!”, e assim continuava. Foi então que Agostinho se apercebeu de que uma criança não costuma trautear uma letra assim, e foi por isso levado a pensar que devia ser um recado para ele. Subiu logo ao quarto, onde tinha sobre a mesa um rolo das Cartas de São Paulo, desenrolou à sorte, também à sorte pôs o dedo, e leu: «Não em orgias e bebedeiras,/ não em devassidão e libertinagem,/ não em rixas e ciúmes,/ mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo». Agostinho acabava de ler a Carta aos Romanos, Capítulo 13, versículos 13-14. Estava ali tudo: a sua vida passada, mas também o futuro que se lhe abria diante dos olhos: revesti-vos do Senhor Jesus Cristo! No ano seguinte, em 24 de abril, Páscoa de 387, foi batizado por Santo Ambrósio na Catedral de Milão, regressou entretanto a África, e veio a ser depois eleito bispo de Hipona, norte de África, dando um imenso testemunho de Cristo, com a sua vida vivida e escrita. Morreu no dia 28 de agosto do ano 430.
Neste tempo de tantas futilidades e procuras, Santa Mónica e Santo Agostinho, rogai por nós!
António Couto
