AS TUAS MARAVILHAS, SENHOR

Eu sei que o Senhor gerou o seu povo no seu ventre maternal,

e o deu à luz como seu filho primogénito,

o fez sair de uma terra estreita e triste,

e o fez subir através de um chão deserto,

para o regaço aberto

de uma terra boa e espaçosa,

de uma terra que mana leite e mel.

Esta imensa metáfora maternal,

que vai do gerar,

ao dar à luz,

ao aconchegar e amamentar,

é um modo intenso e belo de dizer o Êxodo,

o deserto,

a terra prometida e dada,

de dizer o amor de Deus pelo seu povo,

por nós,

por ti e por mim.

Como posso eu retribuir ao Senhor por tanto amor que me deu?

Vê-se bem que só posso responder amando,

consolando,

dando vida,

e enchendo de alegria

o dia-a-dia

de quem sofre dores,

dissabores

e injustiças.

Ai, meu Deus,

o que vai por esses hospitais:

como são tratados os teus filhos e filhas!

Tens de ser outra vez Tu,

Senhor,

a servir-nos bilhas

de leite e favos de mel.

E que eu não possa nunca mais calar

o pulsar

das tuas maravilhas.

António Couto

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