Eu sei que o Senhor gerou o seu povo no seu ventre maternal,
e o deu à luz como seu filho primogénito,
o fez sair de uma terra estreita e triste,
e o fez subir através de um chão deserto,
para o regaço aberto
de uma terra boa e espaçosa,
de uma terra que mana leite e mel.
…
Esta imensa metáfora maternal,
que vai do gerar,
ao dar à luz,
ao aconchegar e amamentar,
é um modo intenso e belo de dizer o Êxodo,
o deserto,
a terra prometida e dada,
de dizer o amor de Deus pelo seu povo,
por nós,
por ti e por mim.
…
Como posso eu retribuir ao Senhor por tanto amor que me deu?
Vê-se bem que só posso responder amando,
consolando,
dando vida,
e enchendo de alegria
o dia-a-dia
de quem sofre dores,
dissabores
e injustiças.
…
Ai, meu Deus,
o que vai por esses hospitais:
como são tratados os teus filhos e filhas!
Tens de ser outra vez Tu,
Senhor,
a servir-nos bilhas
de leite e favos de mel.
E que eu não possa nunca mais calar
o pulsar
das tuas maravilhas.
…
António Couto
