Atravessamos as áridas páginas do verão, e não devemos deixar de louvar o Criador pelo irmão sol, e pelas belas árvores, que o Salmista vê e ouve a gritar de alegria, que nos dão a sua sombra deliciosa, e servem de casa às aves do céu. O Livro do Deuteronómio ensina-nos a olhar para elas com respeito, advertindo que, em caso de guerra, as árvores do inimigo que sitiamos não devem ser cortadas, pois elas não lutam como os soldados. É o respeito pela Criação que este tempo de sol quente de verão deve avivar em nós. Podemos também, nestes dias de calor, cultivar a paciência, cujo vocábulo grego, hypomonê, significa etimologicamente “estar debaixo de”, carregando e suportando o peso que transportamos. Portanto, a paciência remete para sofrimento, mas não se trata de um sofrimento masoquista, que abate quem o sofre, mas que faz de quem sofre o suporte ou o fundamento que segura e mantém de pé o inteiro edifício do universo. Os Santos são os verdadeiros “carregadores” do mundo. A Igreja faz memória neste dia 29 de julho dos Santos Marta, Maria e Lázaro, modelos de hospitalidade, de escuta e de busca de caminhos novos para a sua fé simples e tradicional. Eles sabem que tudo passa por Jesus, que Deus enviou a este mundo, para nos salvar HOJE. Tudo passa por Jesus, que passou por Betânia e continua hoje a passar por nós. Ele quer estar connosco, e é com Ele que nós queremos estar também.
Senhor da mansidão e da ternura, olha com misericórdia para a humanidade sofrida e à deriva deste princípio de milénio, e ajuda-nos a encontrar o caminho bom e belo da fraternidade, em que todos possamos caminhar como irmãos, sabendo sempre, como Marta, Maria e Lázaro, que Tu estás na nossa casa, no meio de nós.
António Couto
