Abre esta manhã de dezoito de julho,
e eu levanto os meus olhos para os montes.
É da tua mão, Senhor, que vem o meu auxílio,
como para as aves do céu a água das fontes.
…..
Revolve, Senhor, todo o meu entulho,
e torna-me disponível e atento servidor dos meus irmãos.
Olho ao redor e vejo
a figura serena do santo bispo Bartolomeu dos Mártires,
que tu chamaste de Lisboa para os montes,
para aí conduzir o teu rebanho.
…..
Por toda a parte buscou sempre erva fresca e água pura,
e nenhuma ovelha morreu à fome ou de secura.
Ensinou, escreveu, semeou, conciliou, construiu,
colheu tanto trigo loiro,
que ainda hoje, mais de quinhentos anos depois do seu nascimento,
continua aberto na terra o seu celeiro,
e reluzente no céu o seu tesoiro.
…..
São Bartolomeu dos Mártires, roga por nós!
…..
António Couto
