SE O GRÃO DE TRIGO NÃO MORRER DE ALEGRIA

Se o grão de trigo, que cai na terra,

não morrer de alegria,

fica sozinho e triste,

e morre de desgosto

e solidão

e fogo posto.

Mas se morrer de alegria,

dará muito fruto,

e verá longos dias,

cheios de alegrias

e de novas melodias.

A nossa mesa encher-se-á de pão,

e virão

os pardais e as cotovias

partilhar a nossa refeição.

Como é bom, como é belo,

viverem unidos os irmãos,

sentados à beira da torrente

da paz e da alegria,

à beira da nascente

de onde nasce o dia.

Abençoa, Senhor, o nosso coração,

estende, com a tua mão,

uma toalha branca à nossa mesa,

e senta-te connosco,

à volta da tua lareira sempre acesa.

Como é bom estarmos aqui, Senhor,

mesmo sem tendas levantadas,

basta-nos o teu amor

e as nossas mãos nas tuas entrançadas.

António Couto

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