JOÃO BATISTA

Ain Karem ou Fonte do Jardim, a uns 8 km a sudoeste de Jerusalém, é apontado como o lugar tradicional do nascimento de João Batista. Mas o verdadeiro lugar da sua vida é o deserto da escuta infinita e do sentido a transbordar que abre caminhos nunca andados e opera corações empedernidos e embotados. Alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. Tal como a escuta infinita e o sentido a transbordar, também os gafanhotos e o mel silvestre são alimento para o coração, e não para o estômago. Como a verdade, a fidelidade, a felicidade, a paz, a alegria e o amor.

Mas João Batista não é natureza. Não é Perséfone, a deusa da morte e do inverno, nem Vénus ou Afrodite, a deusa da beleza e da vegetação, da primavera e do verão. Não é Adónis, que pela morte invernal cai nos braços de Perséfone, para depois, pela “ressuscitação” primaveril e do verão, passar para os braços de Vénus. É este João Batista transformado em Adónis “ressuscitado” que se celebra nesta estação do ano com festas e folguedos, explosão de vida e alegria. Mas João Batista é outra coisa: é vontade boa e firme, sobriedade, verdade, mudança de vida, escuta infinita e vida com dedicatória ao Deus da inteira criação.

São João Batista, rogai por nós!

António Couto

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