AS POMBAS, NÃO AS BOMBAS!

Porque as pombas desceram à cidade,

os meninos nasceram de mãos dadas,

e acertaram o bater do coração

pelo verde pulsar das madrugadas.

Porque as pombas encheram a cidade,

a paz inundou os corações.

As crianças correram pelas ruas,

e calaram a boca dos canhões.

Porque as pombas poisaram na cidade,

os meninos soltaram a alegria,

e prenderam o Senhor Governador:

do exílio já chegou a poesia.

Porque as pombas mudaram a cidade,

é urgente aprender-lhes a lição:

a maneira de aprender a liberdade

é levar uma criança pela mão.

António Couto

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