A bíblica «verdade», hebraico ʼemet, não é apenas a conformidade entre as coisas e a mente, como ensinam Aristóteles e Tomás de Aquino. A bíblica verdade (ʼemet) deriva de ʼem, que é como se diz «mãe» na língua materna de Jesus. A verdade bíblica não é, portanto, da ordem das ideias, mas da ordem pessoal, maternal. E é de ʼem também que deriva ʼemûnah, que significa «fé», «fidelidade», «firmeza». Em mundo bíblico, a verdade, como a fé, não são, portanto, da ordem das ideias, mas da ordem pessoal, maternal. A verdade e a fé são, na Bíblia, como uma «mãe», figura que inspira e gera firmeza e confiança, que ternamente segura e carinhosamente cuida do seu bebé, e que, por nada deste mundo, o deixa cair ao chão. É assim também a nossa relação com Deus, a que nos agarramos, e que, por nada deste mundo, nos deixa cair. Atravessamos, como sabemos, o mês de maio, que é o mês de Maria, o mês da mãe de Deus e nossa mãe, o mês da «verdade» e da «fé», o mês de uma «verdade» e de uma «fé» que se chamam confiança e fidelidade, e que reclamam uns braços ternos e firmes, que nos seguram sempre.
Neste mês que te é dedicado, Maria, nós te saudamos com filial ternura, e te pedimos que nos ensines a viver com verdade e fé, isto é, com confiança, segurança, simplicidade, fidelidade e felicidade. Dá-nos, Senhora da Alegria, umas mãos suaves e firmes como as tuas, uns pés ágeis para correr sobre as montanhas, uns olhos mansos que encham este mundo de paz e de beleza, e um coração maternal que palpite de amor e dedicação, sem engano nem engodo. Mãe de maio, vela por nós!
António Couto
