1. A Igreja celebra no dia 03 de dezembro com alegria a memória litúrgica de S. Francisco Xavier, que nasceu no Castelo de Xavier, em Navarra, na Espanha, em 07 de abril de 1506, e morreu na Ilha de Sanchoão, às portas da China, na madrugada do dia 03 de dezembro de 1552.
2. Ao todo, viveu sobre esta terra 46 anos de Graça. Havia no Castelo de Xavier um belo Cristo Crucificado que ostenta um sorriso nos lábios. Por isso lhe chamam «El Cristo de la Sonrisa». Muitas vezes, na sua infância e juventude, Xavier contemplou esse Cristo e foi por Ele contemplado, de tal maneira que passou a haver uma grande cumplicidade entre os dois. São, de facto, muitas as testemunhas que descrevem Francisco Xavier «com a boca sempre cheia de riso e da graça de Deus» (Monumenta Xaveriana, tomo 2, Madrid, 1912, pp. 291 e 306).

3. Tornou-se companheiro de Santo Inácio de Loyola. Ardia em Xavier um amor imenso por Cristo e pelo Evangelho. Embarcou em Lisboa no dia 07 de abril de 1541, dia em que completava 35 anos de idade, para uma viagem de 20.000 km, rumo a Goa, onde desembarcou mais de um ano depois, em 06 de maio de 1542, após paragem de quase meio ano (setembro de 1541 até fevereiro de 1542) na Ilha de Moçambique para o restabelecimento dos doentes, enquanto se esperava por ventos favoráveis à navegação.
4. Desde que desembarcou em Goa, em 06 de maio de 1542, até à sua morte, em 03 de dezembro de 1552, vão 10 anos e quase 07 meses de desmedida dedicação aos outros, sobretudo aos pobres e doentes, enchendo de Evangelho os caminhos do Oriente. Pio XII proclamou-o «Padroeiro Universal das Missões», e S. João Paulo II proclamou-o «o maior missionário da era moderna».
5. É também de salientar a sua ilimitada Confiança em Deus, como transparece de uma sua carta, datada de 05 de novembro de 1549, escrita de Kagoshima, no Japão, e dirigida aos seus companheiros de Goa:
Sei de uma pessoa a quem Deus concedeu muitas graças, que se ocupava muitas vezes, tanto nos perigos como fora deles, em pôr toda a sua Esperança e Confiança n’Ele, e o proveito que daí lhe adveio levaria muito tempo a descrever.
6. Aquele «Sei de uma pessoa» lembra Paulo (2 Cor 12,2). Pôr toda a sua confiança em Deus é firmar-se em Deus, viver de Deus e desde Deus. A tanto nos desafia também a nós, hoje, este missionário intenso e dedicado. E aquele Sorriso nos lábios do Crucificado e de Xavier é outro impressionante desafio para nós. Sem esta cumplicidade com Cristo, sem esta Confiança e Alegria, que Evangelho podemos nós viver e testemunhar?
7. Obrigado, amigo Francisco. Celebrarei gozosamente a tua Festa, a que me associo com particular alegria desde 03 de dezembro de 1980.
António Couto
