DENTRO DA SEMANA SANTA

O Concílio II do Vaticano usa reiteradamente a expressão «Mistério Pascal» para designar a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, e o seu significado para nós. Este «para nós» do Mistério Pascal tem de ser sempre fortemente acentuado, uma vez que Cristo – refere o texto conciliar e cantamos nós no Prefácio da Vigília Pascal – «morrendo destruiu a nossa morte e ressuscitando restaurou a nossa vida». É deste CUME que nasce a Igreja e os sacramentos, nomeadamente o batismo e a eucaristia (SC 5.6.47); é neste LUME NOVO que se acende a celebração do inteiro ano litúrgico, cujo centro é sempre o Domingo e a Páscoa Anual (SC 102.106s.); é esta FONTE que anima todo o quotidiano cristão, devendo informar, desde a raiz, tudo o que fazemos, todas as nossas atividades, todos os nossos comportamentos; mas é ainda neste cume, neste lume e nesta água viva que cada homem de boa vontade, crente ou não crente, será sempre contado, encontrado e conhecido (1 Cor 13,12; Gl 4,9; Fl 3,12) – saiba-o ou não, Deus o sabe (cf. 2 Cor 12,2.3) – para que possa receber ânimo e sentido para a vida e para a morte (GS 22).

A caminhada quaresmal conduz-nos à Semana que nós dizemos «Santa», e que as Igrejas do Oriente dizem «Grande» ou «dos Mistérios». É então verdade que caminhamos para a Páscoa do Senhor, mas é igualmente verdade que é de lá que vimos, pois foi lá que nascemos, e é depois dela e por causa dela que vivemos e celebramos intensamente estes Dias Santos. Vivamos então intensamente todos os instantes, como se fosse a primeira vez, como se fosse a última vez. Tudo nesta caminhada é decisivo: cada passo conta, cada gesto conta, cada palavra conta, cada copo de água conta!

António Couto

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