O VENTO E O ALENTO DA QUARESMA

Ao entrarmos no tempo santo da Quaresma,

devemos ter a coragem de atravessar a poeira dos caminhos

intransitivos do nosso coração,

isto é, de limpar as mentiras, ódios, raivas, violências, banalidades,

que tantas vezes preenchem os nossos dias.

A Quaresma é tempo de nos expormos

ao vendaval criador e purificador do Espírito,

sem termos a pretensão de o querer transformar em ar condicionado.

Toma em tuas mãos, Senhor,

a nossa terra ardida.

Beija-a.

Sopra nela outra vez o teu alento,

a tua aragem,

e veremos nela outra vez impressa a tua imagem.

Tu sabes bem, Senhor, que somos frágeis.

Mas contigo por perto,

seremos fortes e ágeis,

capazes de abrir estradas no deserto,

a céu aberto.

E, quem sabe, talvez nasça aí um mundo novo,

de tal modo novo,

que ninguém pode dizer que já sabia.

E por estranho que pareça,

para que esse mundo novo aconteça,

para que esse mundo novo nasça

e rasgue a crosta da nossa apistía,

basta que a Tua vontade se faça,

e se reparta o pão nosso de cada dia.

António Couto

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