Que o céu se abra,
e que o orvalho desça
sobre esta terra dura e seca,
com as mãos em prece,
pois vê-se que carece
de paz
e de ternura.
…
Que o Teu orvalho desça,
mas desce Tu também,
Menino de Belém,
por essa escada
rendilhada
de água pura.
E não Te esqueças
de que está na altura
de vires nascer em Belém
e aqui também.
…
Por isso Te espero
com a alma acesa,
o pão na mesa,
os pés ao borralho.
Não te percas às voltas
na circunvalação,
mete pelo atalho
do presépio de cascalho,
que com oração e trabalho,
abri no coração,
neste tempo do Advento.
…
Vem, Senhor Jesus,
e enche de luz o nosso tempo,
segundo a segundo,
momento a momento.
…
António Couto, Natal. Aroma a céu acabado de lavrar, Apelação, Paulus, 2024, pp. 41-42.
