QUE O CÉU SE ABRA

Que o céu se abra,

e que o orvalho desça

sobre esta terra dura e seca,

com as mãos em prece,

pois vê-se que carece

de paz

e de ternura.

Que o Teu orvalho desça,

mas desce Tu também,

Menino de Belém,

por essa escada

rendilhada

de água pura.

E não Te esqueças

de que está na altura

de vires nascer em Belém

e aqui também.

Por isso Te espero

com a alma acesa,

o pão na mesa,

os pés ao borralho.

Não te percas às voltas

na circunvalação,

mete pelo atalho

do presépio de cascalho,

que com oração e trabalho,

abri no coração,

neste tempo do Advento.

Vem, Senhor Jesus,

e enche de luz o nosso tempo,

segundo a segundo,

momento a momento.

António Couto, Natal. Aroma a céu acabado de lavrar, Apelação, Paulus, 2024, pp. 41-42.

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