AQUELA MADRUGADA DE 386 EM QUE AGOSTINHO LÊ Rm 13,13-14

O texto da Carta aos Romanos que lemos hoje, no Domingo I do Advento, também Santo Agostinho o leu, e ficou virado do avesso! Agostinho é um dos Santos mais queridos e conhecidos de todos nós. Vejamos a história de uma vida e de uma conversão. Nascido em Tagaste, norte de África, no longínquo ano de 354, experimentou, na sua juventude, as futilidades da vida. Mas nada disso, nem riquezas, nem prazeres, nem académicas discussões, lhe enchiam a alma. Agostinho não procurava qualquer coisa, qualquer simples remedeio. Procurava a Verdade, e correu o mundo à procura da verdade. Foi assim que chegou a Milão, e se pôs a ouvir as catequeses de Santo Ambrósio. E foi assim que, conta ele mesmo nas suas “Confissões”, Livro VIII, Capítulo 12, em finais do verão do ano 386, não conseguindo dormir, veio para o jardim anexo à casa onde residia, e, envolto em lágrimas, deitou-se debaixo de uma figueira. E eis que, conta ele, saída de uma casa vizinha, começou a ouvir a voz de uma criança que cantarolava repetidamente uma canção, cuja letra era: “Toma e lê! Toma e lê! Toma e lê! Toma e lê!”, e assim continuava. Foi então que Agostinho se apercebeu de que uma criança não costuma trautear uma letra assim, e foi por isso levado a pensar que devia ser um recado para ele. Subiu logo ao quarto, onde tinha sobre a mesa um rolo das Cartas de São Paulo, desenrolou à sorte, também à sorte pôs o dedo, e leu: «Não em orgias e bebedeiras,/ não em devassidão e libertinagem,/ não em rixas e ciúmes,/ mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo». Agostinho acabava de ler a Carta aos Romanos, Capítulo 13, versículos 13-14. Estava ali tudo: a sua vida passada, mas também o futuro que se lhe abria diante dos olhos: revesti-vos do Senhor Jesus Cristo. No ano seguinte, 387, foi batizado por Santo Ambrósio, e veio a ser depois eleito bispo de Hipona, norte de África, dando um imenso testemunho de Cristo, com a sua vida vivida e escrita. Morreu no ano 430.

Neste tempo de tantas futilidades e procuras, Santo Agostinho, roga por nós!

António Couto