NESTA TERRA CELESTE DE NOVEMBRO

Apega-se-me aos pés esta terra enevoada de novembro,

mas a cabeça é sempre bom tê-la nos céus.

Sei que as palavras que sussurro atravessam as nuvens,

e, com elas, é todo o meu ser que sobe para Deus.

Quando o chão que pisamos cheira a sangue,

e não a pão quente e vinho novo,

quando as pessoas e os ideais que amamos

revelam um alto grau de mortalidade,

temos de acender com lume novo

as velas do nosso embotado coração,

e de erguer até Deus nuvens de oração.

De facto, a nossa proteção

está no Nome do Senhor,

que fez os céus e a terra

e a nossa vida também.

E é bom que o nosso coração não desfaleça,

mas se fortaleça e bata cada vez mais forte.

A nascente do mal não reside na paixão,

num coração que bate forte e se apaixona.

A raiz do mal está em todo o coração empedernido,

em que nenhuma emoção se acende e vem à tona.

Concede-nos, Senhor, no meio desta noite escura,

a luz acesa da saúde, da paz e da esperança,

e dá-nos a tua mão segura

de amor, serenidade e confiança.

António Couto

Published by