FIÉIS DEFUNTOS

A Igreja comemora hoje, dia 2 de novembro, todos os fiéis defuntos, os nossos irmãos que adormeceram em Cristo, como costumamos rezar na liturgia. Na verdade, deixando respirar o Evangelho, e sentindo-lhe o calor, o odor e o vivo pulsar, vemos bem que Jesus não nos deixou palavras mortas, para nós guardarmos cuidadosamente em velhos armários ou latas de conserva, museus ou casas de penhores, deitadas e adormecidas num caldo de azeite rançoso, como se fossem múmias. Jesus não nos deixou palavras de conserva, para nós as mantermos congeladas por milhares de anos, mas deu-nos palavras vivas e ardentes, a saltar, para servir já, e para alimentar a nossa esperança. Neste nosso mundo líquido e escorregadio, habitado por mais de oito biliões de solidões, precisamos mais do que nunca das palavras de Jesus, para que se faça luz, e para podermos outra vez colher a esperança com as nossas mãos rugosas, como se fossem sementes ou grãos que semeamos, e de cujo chão pode nascer um mundo novo.

Senhor Jesus, neste tempo embaciado de novembro, senta-nos à tua mesa, e serve-nos o teu pão que enche de paz o coração.

António Couto

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