A Igreja celebra no próximo dia 27, Sábado, a figura ilustre de São Vicente de Paulo, que encheu o século XVII de caridade, e vamos ouvir no Evangelho do próximo Domingo, dia 28, a parábola do Rico, que se banqueteava, e do pobre Lázaro, chagado e faminto, literalmente encostado à sua porta. Lembremo-nos agora que, no imaginário da Idade Média, o pobre Lázaro, cujo nome significa «Deus ajuda», saiu fora da parábola e transformou-se numa personagem histórica, como padroeiro dos leprosos e mendigos. É assim que nascem os «Lazaretos», edifícios destinados a albergar e tratar os doentes e deserdados. E, no século XVII, São Vicente de Paulo, cuja memória celebramos no próximo Sábado, que dedicou a sua vida toda aos pobres, fundou os Padres Lazaristas (sempre sobre a memória do pobre Lázaro), para continuar essa bela missão de tratar os pobres com carinho. E, no século XIX, o beato Frederico Ozanam fundou as Conferências Vicentinas, entregando-lhes a sublime missão de assistir os pobres e necessitados, sempre com referência a São Vicente de Paulo e à caridade por ele vivida e pregada, e que, nas suas palavras, é «inventiva até ao infinito».
São Vicente de Paulo, ensina-nos a sair da nossa indiferença e a amar um pouco mais os pobres e desfavorecidos deste mundo, atirados pela porta fora pelos ricos e poderosos.
António Couto
